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INCINERAÇÃO SELVAGEM: VENENO MUNDIAL.

Quem já viajou pela África ou Ásia facilmente viu esta cena: raramente coletados, o lixo e resíduos são geralmente incinerados, sem qualquer controle, seja em casa ou em aterros improvisados. Tal situação faz “explodir” qualquer medição de emissão de poluentes, porque ao contrário dos incineradores oficiais, estas práticas onipresentes, são difíceis de quantificar e raramente não são levadas em conta nos cálculos.


— Incineração selvagem: fonte de envenamento do ar.
Créditos: Blachsmith Institute

Coordenado por Christine Wiedinmyer, do National Center for Atmospheric Research (NCAR) de Boulder (Colorado), EUA, e seus colegas, um novo estudo, o primeiro a avaliar o fenômeno a nível mundial, revela realmente o tamanho do problema. Embora inevitavelmente contendo aproximações, seu modelo matemático mostra que 41% dos resíduos do mundo estariam sendo destruídos utilizando este método. Ou seja: 970 das 2.400 milhões de toneladas produzidos cada ano por 7 bilhões de habitantes da terra, 620 milhões de toneladas são queimados “a domicílio” e 350 milhões nos aterros.

Para chegar a esta estimativa, os pesquisadores tiveram que realizar um verdadeiro trabalho de formiga. Para cada país eles estimaram a massa de resíduos não coletados e queimados a domicílio, assim como a massa coletada, porém, queimada nos aterros. Levaram em conta numerosos parâmetros, tais como taxa de coleta de resíduos por país, perfil urbano/rural de população, quantidade de resíduos produzidos por habitante, etc.

Do ponto de vista da “incineração selvagem” são, sem surpresa, os grandes países em desenvolvimento que se colocam como os poluidores mais importantes: China, Índia Brasil, México, Paquistão e Turquia. Na China, por exemplo, 278 das 478 milhões de toneladas de resíduos produzidos cada ano, ou seja 58,2%, são destruídos desta maneira.

64% de emissões de HAP

Os pesquisadores chegaram mesmo a estimar o impacto destas “incinerações selvagens” por tipo de poluente. E temos do que ter medo: elas seriam responsáveis por 64% das emissões mundiais de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAP), de 29% de partículas (PM2,5), 25% do benzeno, 10% do mercúrio e 10 do monóxido de carbono (CO).

Se o impacto é menor para o CO2 (5% deste de origem humana) e o metano (15%), pode-se considerar como muito elevado se considerado localmente: por exemplo, no Sri Lanka ou no Mali, as emissões de CO2 associadas a incineração selvagem excedem o total de emissões estimadas atualmente. Marginal a nível mundial, o fenômeno é a nível local muito importante para essas emissões de gases de efeito estufa.

Melhor equipados em termos de coleta, os países ricos têm evidentemente menos problemas para se preocupar.

Os resultados – provenientes da modelização, deve ser dito -, revelam diferenças de um país para outro. Por exemplo, a França aparece com 524 mil toneladas queimadas anualmente a domicílio de um total de 45,5 milhões de toneladas de resíduos anuais (1,15%), comparado com os Estados Unidos (1,28%) e Itália (1,7%). Os franceses se colocam mais distante da Alemanha (4,6%), onde a taxa de coleta é de apenas 71%, contra 87% na França.

Le Journal de L´Environnement (Tradução-MIA/OLA).

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Sobre reciclandosaberes

O projeto objetiva selecionar 20 (vinte) trabalhos sobre a “Política Nacional de Resíduos Sólidos”, a serem apresentados em Feiras de Ciências, de Conhecimento ou similares, para receberem o “Prêmio Reciclando Saberes: os resíduos sólidos no Recife”, além de 5 (cinco) bolsas de iniciação científica júnior dentre estes trabalhos. Realização: Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), mediante o Núcleo Multidisciplinar de Pesquisa em Direito e Sociedade-NPD, com financiamento do CNPq/Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação.

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